domingo, 8 de março de 2009

A CASA ONDE MORA A LUA


Estou hiper feliz. Terei um texto meu publicado em breve. Sei que ele não é bem um livro fácil, mas cria totalmente empatia com todos, pois fala um pouco de todo mundo, numa visão peculiar de Bill, um rapaz homossexual que vive - sem suportar - da prostituição, vivendo com uma mãe - ex-vedete - adotiva. O cenário é São Paulo, prostituição, vida dura e em busca de saídas... O mais incrível é que o destino vem buscar Bill com mãos firmes. Esse livro tem por objetivo questionar o destino e a vida através da ancestralidade (sob a lente da religião africana). Em paralelo, outras histórias são pulsantemente contadas. É um livro que vem para questionar um monte de coisas. A decisão do destino e a nossa em entendê-lo, seguí-lo ou descartá-lo.


"O trem aos pedaços e embalando mil pessoas humildes. Lá se vende tudo, da lâmina de barbear até sapatos. Estão sentados e da meia janela dos corredores avistam um cenário muito diferente da Zona Sul e do Centro da cidade. No começo, bairros suburbanos com uma população em grande massa em travessias pelas ruas e pelas passarelas. Gente com cara de muito trabalho, cansadas, esgotadas, sofridas. Bill ultrapassa a carne delas e via almas em apuros. Almas cansadas, esgotadas. Muito trabalho por nada. Por um salário. Por uma vida igual todos os dias. Por um prato de arroz e feijão. Pela criação de uma ninhada de filhos. Final de semana uma cervejinha para animar, pagode e churrasquinho. Aleluia a formatura de um filho, sacrifício para uma festa de quinze anos e um casamento de vez em quando para reunir a família e comer salgadinhos sem pagar. Essas pessoas continuam por toda a jornada pela janela do trem. Mas chegando próximo à Baixada Fluminense, vão perdendo os prédios e construindo casas, cemitérios e mercearias. Como se fosse mesmo cidades do interior. Mas não cidades turísticas; cidades tristes. As pessoas mesmo com vida sacrificada, são guerreiras e carregam uma alegria instantânea como forma de afirmarem sua existência. Mesmo com vida sacrificada, nunca renegam (ou por isso nunca renegam) a magnitude de reunir pessoas em prol do preenchimento de seus vácuos com a presença única do encontro, do prazer desinteressado de conviver. Casas humildes com um pedaço de quintal, rádio às alturas, uma caixa de cerveja, três quilos de maminha de alcatra e seja bem vindo quem chegar. Ulalá, uma tarde para se esquecer da vida."

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