
Essa é a melhor foto que um artista pode ter de si: no auge da sua sensibilidade artística. Sem photoshops, sem lipos, sem botox... Retoques só em superação de emoção. Uma emoção se amontoando em cima da outra até chegar num resultado contundente. Essa foto, por exemplo, diz tantas e tantas coisas que não foi apenas posar. Foi viver por muitos anos observando a respiração humana e tentar traduzir em cena. Ela, Fernanda Montenegro, é o máximo, é um ícone, SIM!, mas não foi de um dia para a noite e nem o seu inverso, foram de muitas noites para os dias e os seus inversos. É nisso que dá orgulho em ser contemporâneo dessa artista tão fundamental, saber que é possível, embora para poucos iluminados, se esfolar para obter apenas um olhar intencionado que o seu personagem teria que ter naquele milésimo de segundo. Ah, como é bom atingir esse resultado. Não é uma questão de estar bom, de estar certo. Na vida não existe isso, fora as regras impostas... Na vida de verdade não tem essa de certo e bom. Tem o que é, o que é para ser vivido, e cada milésimo de segundo é vivido, não é pensado, sai assim sem pestanejar. Acontece. A vida acontece e esses milésimos de segundo não voltam. Passou. E é esse milésimo de segundo do personagem que eu quero atingir, para depois aprender a chegar a outro milésimo de segundo, até poder chegar a uma hora, uma hora e meia da vida dele mais preenchido dele mesmo. Dar espaço dentro de mim para esse personagem. Pensando bem, praticar o ser ator é um ato de anti-egoísmo. Deixar alguém por você, sendo você o tempo inteiro.
Estou acabando de ler o livro "A defesa do mistério", de Neusa Barbosa, da Coleção Aplauso Perfil. Não trata-se de uma biografia, mas são passagens absolutas na vida de Fernanda Montenegro, que começou do nada, do acaso e foi se construindo e hoje é esse castelo.
Leiam!
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